VENTUNNA BESPOKE FASHION a Capa desta 16ª Edição.

VENTUNNA BESPOKE FASHION

AJINDE – O Renascimento Como Ato de Verdade.

Por: Eliana Oliveira – Editora de Moda

Crédito de imagem: Ajinde – Lookbook Fall Winter 26.

No cenário contemporâneo da moda global, cada vez mais atento às narrativas culturais e às epistemologias não ocidentais, a Ventunna Bespoke Fashion surge como uma voz de precisão estética e consciência ancestral. Fundada em 2024, a marca foi concebida para redefinir o luxo sob medida através de uma perspectiva africana estruturada, intelectual e espiritualmente fundamentada.

Sob a direção criativa de Bashir Adejumo, a Ventunna não apenas confecciona peças, ela constrói declarações culturais. Alfaiataria disciplinada, silhuetas cerimoniais e bordados simbólicos transformam cada criação em um manifesto visual. Aqui, o “bespoke” ultrapassa o ajuste técnico: torna-se um instrumento de identidade.

A marca especializa-se em ternos sob medida, camisas estruturadas e releituras contemporâneas de vestimentas tradicionais africanas. O equilíbrio entre tradição e inovação não é acidental; é estratégico. Materiais sustentáveis, pesquisa cultural rigorosa e execução precisa convergem para um luxo que carrega significado.

Com presença comercial no Reino Unido como Ventunna Bespoke Fashion Limited, a marca consolida sua atuação internacional enquanto mantém firme sua matriz conceitual africana.

AJINDE – Rebirth

“Ajinde”, palavra iorubá que significa renascimento, não é apenas o título da coleção FW26, é uma declaração de posicionamento.

A coleção confronta o apagamento e a distorção do conhecimento ancestral africano, particularmente a má interpretação de sistemas espirituais que outrora definiram poder, ordem e identidade. Não se trata de nostalgia. Não é explicação didática. É reivindicação.

Inspirada na cosmologia iorubá e em arquétipos espirituais como Ifá, Èṣù, Ṣàngó e Eyinju Olodumare, a coleção traduz filosofia espiritual em estrutura têxtil. A alfaiataria torna-se linguagem ritual. O corte assume função simbólica. O bordado deixa de ser ornamento para se tornar código.

Cada peça funciona simultaneamente como vestimenta e testemunho cultural.

AJINDE é construída para indivíduos escolhidos, aqueles que não temem visibilidade, diferença ou verdade. Existe uma pureza de expressão na coleção que sinaliza uma mudança decisiva na trajetória da marca: menos concessões, mais honestidade cultural.

O que foi silenciado retorna.

O que foi rotulado como “proibido” é ressignificado.

O que foi temido agora é vestido.

Bashir Adejumo – Arquitetura de Identidade.

Bashir Adejumo não desenha apenas roupas. Ele constrói pontes.

Sua visão moderna não dilui as raízes africanas para torná-las palatáveis ao mercado global, ao contrário, ele as estrutura com rigor, permitindo que dialoguem com a moda internacional em pé de igualdade. Em um momento histórico em que o mundo volta seus olhos para a África como centro criativo emergente, Ventunna posiciona-se não como tendência, mas como fundamento.

A coleção AJINDE confirma que a moda pode ser sagrada sem perder sofisticação. Pode ser política sem perder elegância. Pode ser ancestral e absolutamente contemporânea.

Na edição especial da Magazine Le Afrique Style Brazil, Ventunna Bespoke Fashion representa mais do que uma marca: representa uma reconfiguração do olhar global sobre o que é luxo, poder e identidade africana.

O Editorial Especial AJINDE FW26.

Declaração Técnica das Peças

Por Bashir Adejumo.

AJINDE significa Renascimento.

Esta coleção é meu confronto com a distorção, a má representação da espiritualidade africana e o silenciamento de sistemas ancestrais que, um dia, definiram poder, ordem e identidade. Cada peça desta coleção foi construída para incorporar autoridade.

A Túnica Cerimonial em Veludo Esmeralda

Para este look cerimonial, utilizei veludo esmeralda intenso para comunicar realeza e riqueza espiritual.

A túnica é propositalmente pesada. Quis que o peso alterasse o movimento, desacelerasse o corpo e impusesse presença.

Bordados em fio dourado foram posicionados estrategicamente no peito e na barra para simbolizar autoridade divina. A camada interna vermelha introduz sacrifício e vitalidade.

As contas de coral reforçam linhagem, e o cajado esculpido simboliza liderança espiritual e comunicação entre reinos.

O Conjunto Marfim com Véu

Inspirado na tradição da mascarada Eyo, utilizei tecido estruturado em marfim para expressar neutralidade espiritual e purificação.

O blazer de comprimento alongado é combinado com calças amplas e um painel drapeado assimétrico na altura do quadril. O drapeado suaviza a rigidez da alfaiataria, mantendo autoridade.

O chapéu de aba larga e o véu translúcido introduzem ocultação controlada. O véu não é sobre esconder, é sobre restringir acesso.

O poder nem sempre precisa de exposição.

O Terno Carmesim “Ifá Ni Ona”

Este terno foi inspirado em Ṣàngó e Ifá, Sàngó, o orixá do fogo e do trovão, e Ifá, o guardião da sabedoria. Trabalhei com tecido estruturado de alfaiataria em tom carmesim profundo para simbolizar poder, sacrifício e fogo espiritual.

O blazer é transpassado, com lapelas de pico marcadas e acabamento em contraste de veludo/satin preto. A lapela preta representa dualidade, os reinos visível e invisível.

As calças apresentam bordado lateral integrado à costura, e não aplicado superficialmente.

Na parte posterior, bordei a frase “Ifá ni ona” (Ifá é o caminho). Não foi decorativo, foi declarativo. Quis que a peça comunicasse filosofia, não tendência.

Este look funde a alfaiataria ocidental com a epistemologia iorubá, conhecimento como estrutura.

O Terno Índigo com Bordado de Olhos

Para este terno, utilizei tecido de alfaiataria em índigo profundo como base. O índigo carrega peso espiritual, sugere profundidade e conhecimento sagrado.

Bordei repetidos motivos de olhos por toda a jaqueta e calças. O olho representa o testemunho ancestral e a consciência divina. Historicamente, corpos negros foram vigiados; aqui, inverto a narrativa. O usuário está protegido, não observado.

O bordado foi cuidadosamente espaçado para criar ritmo e equilíbrio, garantindo que o motivo se tornasse estrutural e não caótico.

Esta peça reivindica a vigilância como proteção.

O Terno Desconstruído de Risca de Giz

Utilizei lã clássica de alfaiataria em risca de giz, tradicionalmente associada à autoridade financeira ocidental.

Reconstruí o modelo através de camadas e variações de silhueta, incluindo colete e extensões estruturadas na parte inferior do corpo. Ao fazer isso, reposicionei a alfaiataria institucional dentro de uma narrativa centrada na África.

O terno torna-se território reivindicado.

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