IGC Fashion e o Designer Godfrey Katende de Uganda.

Por Eliana Oliveira

Editora Chefe e de Moda

Crédito de imagem: IGC Fashion.

No mês da COP 30 e da Consciência Negra no Brasil, eu encontro em Uganda as respostas que o mundo precisa conhecer. E que faz parte do universo fashion, ou seja, da indústria da moda global. Quem me traz esta resposta é o designer de moda ugandense Godfrey Katende que nos, diz: “Quero desafiar as práticas insustentáveis ​​da indústria da moda moderna e reformular as percepções contemporâneas da herança africana.” O foco principal do seu trabalho como designer, que vem através dele está abrindo novos caminhos para Uganda, dando mais visibilidade aos materiais tradicionais e promovendo métodos de produção sustentáveis. A marca de Godfrey Katende chama-se IGC Fashion, sigla para Ibrahima e Godfrey’s Community Fashion (Moda Comunitária de Ibrahima e Godfrey). A construção desta comunidade é um dos aspectos centrais do seu trabalho de design. Desde 2017, a IGC Fashion organiza diversos eventos comunitários, chamados Cyphers, e workshops onde os designers ensinam crianças e adultos a costurar, criar e consertar roupas. Seu trabalho é inspirado pelas tradições, heranças e culturas africanas, combinando esses elementos com uma estética de design única e inovadora para criar peças de vestuário que são obras de arte esculturais em movimento e com vida.

Utilizando uma combinação de 99% de materiais naturais e indígenas, como Lubugo (tecido de casca de árvore), Nsimbi (conchas de búzios) e Obuso (ráfia), com tecidos reciclados e de segunda mão, para desafiar as práticas insustentáveis ​​da indústria da moda moderna e reformular as percepções contemporâneas da herança africana. Godfrey resgata e trabalha com materiais considerados tradicionais na cultura Ugandense, ele nos revela que; a maioria da comunidade ugandense vê esses materiais como malignos ou satânicos – acreditando que eles carregam um estigma enorme, mesmo tendo sido materiais glorificados no passado. “É isso que minha moda e meu trabalho abordam: relembrar e desafiar a influência colonial que foi imposta a esses materiais.”

Ele considera o seu trabalho como um pilar na indústria da moda global, devido aos vários aspectos de sustentabilidade que ele realiza como design de moda. Ele nos revela que; seu trabalho se baseia em três princípios fundamentais. Cultura – ao defender o uso de materiais indígenas, a IGC honra a tradição ugandense e africana, revertendo a estigmatização histórica e revelando histórias culturais não escritas. E que a humanidade precisa conhecer, para entender a importância da construção cultural da África no mundo. A sua visão e iniciativa desta construção vem do meio ambiente – todos os seus produtos são obtidos e fabricados localmente, utilizando 99% de materiais naturais ou reciclados, onde se realizam diversas campanhas sobre moda sustentável com outros designers e marcas. A inclusão e valorização social, o seu trabalho é voltado para a comunidade. Com um profundo conhecimento dos desafios locais, eles utilizam a maior parte dos lucros para abordar as principais questões econômicas e de gênero que afetam o bem-estar da sociedade ugandense por meio da educação, do emprego e de campanhas. Mesmo com dificuldades dentro do mercado da moda em Kampala, ele nos conta como é difícil administrar um negócio dentro deste mercado.

“A política governamental não é muito favorável, a moda lenta, é completamente nova, para que alguém compre uma peça reciclada é preciso muita educação, caso contrário, há um preconceito de que as pessoas comprem roupas usadas. O acesso a materiais como 100% algodão é difícil; esses materiais estão disponíveis no país, mas são exportados diretamente, sem acesso para designers locais. E existe uma atitude negativa em relação aos produtos fabricados pelos cidadãos.”

Mesmo com tantas diversidades Godfrey Katende é considerado um agente de mobilização, no mundo fashion africano. Ele é coordenador da Fashion Revolution Uganda e organiza eventos comunitários. Que estão levando o nome de Uganda para o mercado da moda internacional fora da África. Além de construir uma Uganda mais consciente do impacto da moda no meio ambiente. Ele quer criar essa conscientização começando com os formuladores de políticas, consumidores, escolas de moda, estilistas e marcas, para que eles conheçam os perigos da moda e o que podem fazer, dentro de suas possibilidades, para reduzir esses efeitos. Porque em Uganda essa conscientização é muito recente e quase ninguém está ciente disso. Ele também tem grandes projetos que podem ser, uma referência no mundo da moda global.

Ter um espaço de residência onde estilistas de comunidades ugandesas e de outros lugares possam ter acesso ao conhecimento de materiais indígenas e técnicas artesanais de Uganda. Além disso, poderão aprimorar suas técnicas de design e se inspirar na herança e nas culturas africanas. Queremos criar um podcast para revelar os valores pouco conhecidos do tecido de casca de árvore e da árvore mutuba – com valores na área espiritual, social, tradicional e ética. Em última análise, o futuro da IGC é onde a rica herança cultural de Uganda, a sabedoria ecológica e o talento criativo se unem para criar uma indústria da moda que não apenas adorne as pessoas com beleza, mas também nutra as comunidades, preserve os ecossistemas e conte a história de Uganda para o mundo de forma autêntica. E para quem ainda não conhece o potencial da moda criativa africana. A moda do designer Godfrey Katende tem uma identidade, um estilo com a sua assinatura. Seus designs são de moda urbana, afro-futurista e de vanguarda.  E tudo isso que ele está realizando, e abrindo os novos caminhos para Uganda, dando mais visibilidade aos materiais tradicionais e promovendo métodos de produção sustentáveis.  

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